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Que água devo tomar?

Estive pensando sobre isso estes dias, com a correria da mudança, planejar coisas para casa nova são essenciais e uma delas, que eu não havia me deparado é com relação à qualidade da água e muito menos, que os vendedores não sabem o que significa água mineral, por exemplo.

A primeira informação que as pessoas precisam saber é que água mineral é aquela que sai da fonte com os minerais essenciais mínimos, como sódio, cálcio e sulfato e que não pode passar por nenhum tipo de tratamento antes do envase, conforme o serviço geológico do Brasil. Assim, se há uma pequena quantidade de coliformes fecais ela é tolerada.

A água das empresas de tratamento de água e esgoto, por outo lado, são obrigados a ter todo um sistema de tratamento que elimine todos os coliformes fecais e demais poluentes, numa qualidade não encontrada em nenhuma água mineral.

Assim, na teoria a água que chega em nossa torneira é mais limpa que qualquer água vendida engarrafada, isso ó não acontece porque os sistemas de distribuição de águas não são limpos com frequência e, também, nossas caixas d’água não são devidamente higienizadas, assim, a recomendação de um filtro de carvão para resolver este problema.

Agora que já sei a diferença entre as águas, vamos para mais detalhes químicos: a água mineral contém, em alguns casos, excesso de sódio e de potássio, principalmente por que o Brasil é um país de solo antigo, com isso, os minerais são facilmente dissolvidos e levados para os reservatórios de água mineral. Em muitos casos, esses suplementos oferecidos pela água são importantes, pois minerais constituem parte do nosso corpo, como ossos e sangue, porém, o cálcio em excesso causa pedras nos rins e o sódio, pressão alta, apenas para citar dois exemplos. Assim algumas pessoas deveriam evitar beber água mineral, principalmente de fontes da região de Minas Gerais, Pará e Rio Grande do Sul pela elevada concentração de minerais.

A água da empresa distribuidora estadual ainda é obrigada a adicionar flúor na água, essencial para controle da cárie, dessa forma, decidi que na minha casa nova, colocarei um sistema de filtração adaptada em uma torneira (foto abaixo), mas a dica que eu deixo para a maioria das pessoas é a compra de um filtro de barro, muito útil na maioria das casas de avós e que me remetem a minha infância (foto abaixo).

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A síntese da amônia, a guerra química e Clara Immerwahr

O nitrogênio é um elemento essencial aos seres vivos, sendo encontrado em todas as proteínas, ele participa da formação dos aminoácidos. Esse elemento compõem aproximadamente 78% da atmosfera na forma de uma molécula diatômica N2, um gás muito inerte e de difícil assimilação pelos organismos pluricelulares.
Algumas bactérias do gênero Rhizobium realizam a chamada fixação do nitrogênio, porém, é um processo que necessita da simbiose com algumas leguminosas (feijão, soja, ervilha, entre outras). Neste processo e em processos subsequentes, que fazem parte do ciclo do nitrogênio, o nitrogênio atmosférico pode ser convertido em nitritos, nitratos e amônia que podem ser absorvidos por outras plantas e, dessa forma, usados na síntese de aminoácidos.
Na tentativa de fixar o nitrogênio, dois químicos alemães, Fritz Haber e Carl Bosch desenvolveram um processo de síntese da amônia (NH3), chamado de Haber-Bosch, reagindo nitrogênio e hidrogênio diretamente, usando um catalisador, alta pressão e alta temperatura. Em 1910 esse processo foi patenteado pelos químicos e passou a ser usado então para suprir as necessidades alemãs de amônia para produção de ácido nítrico e, consequentemente, explosivos.
O Chile era o maior exportador de nitratos do mundo no início do século XX, muitos países compravam esse nitrato para produção de fertilizantes em locais que não eram plantadas leguminosas, porém, a Alemanha, já nas mãos do partido nazista estava produzindo explosivos em larga escala. Todas as pesquisas de Haber estavam direcionadas a uma autossuficiência em nitratos para que o país não sofresse uma pressão internacional e um bloqueio do nitrato chileno.
O desenvolvimento do processo Esse processo teve a ajuda da esposa de Fritz, Clara Immerwahr, a primeira mulher a conseguir o título de Doutora em Química na Alemanha. Uma das mulheres mais importantes para a história da Química, ela ficou muito insatisfeita com o marido pelo uso dado à amônia, pois, a sua maior motivação era usar a amônia para produção de fertilizantes e aumentar a produção mundial de alimentos.
Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, Fritz Haber foi nomeado oficial do exército alemão, com a missão de desenvolver uma arma química que pudesse dar maiores chances aos alemães neste conflito. Clara se opôs a todos os trabalhos do marido, depois disso. Mesmo assim ele desenvolveu certos gases para uso militar, porém, o primeiro gás usado foi o cloro em 22 de abril de 1915 matando 5 000 aliados na batalha de Ypres na Bélgica. Haber foi então eleito herói nacional, enquanto Clara ficou mais descontente ainda.
Após uma discussão com o marido, ele a chamou de traidora da pátria alemã e foi comemorar a vitória da batalha de Yprea. Na madrugada de 2 de maio de 1915, ela dá um tiro no próprio peito nos jardins da casa dos Haber, sangrando até morrer. Seu filho Hermann Haber encontrou a mãe logo no início da manhã e logo depois a carta que ela deixou mostrando sua posição contra o uso de armas químicas na guerra.
Essa carta nunca foi destruída por Fritz Haber, que tratou de encobrir a autópsia do corpo da esposa e também proibiu, graças a sua influência junto ao partido nazista, a publicação de qualquer notícia sobre a morte de clara nos jornais alemães.
Inconformado com as atitudes do pai, Hermann muda-se posteriormente para os Estados Unidos, onde divulga as ideias da mãe e posição dela com relação ao uso de armas de destruição em massa.
Haber ganha o Prêmio Nobel de Química pela síntese da amônia em 1918, o primeiro prêmio contestado pela comunidade científica internacional.

A colher que desaparece – parte 2

Já falei deste livro aqui no blog. mas como estou usando um fragmento dele para escrever mais uma unidade do meu livro, resolvi colocar aqui para os interessados #ficaadica.

A colher que desaparece

            Quando eu era criança, no início dos anos 1980, costumava falar de boca cheia – de comida, de instrumentos de dentista, de bolas de soprar que voavam longe, de qualquer coisa – e fazia mesmo que não houvesse ninguém por perto. Na primeira vez em que me vi sozinho com um termômetro debaixo da língua, esse hábito deu origem ao meu fascínio pela tabela periódica. […]

O mercúrio também apareceu nas minhas aulas de ciência. Quando fui apresentado à confusão da tabela periódica, eu procurei por ele, mas não consegui encontrá-lo. Ele está lá – entre o ouro, que também é denso e mole, e o tálio que também é venenoso. Mas o símbolo do mercúrio, Hg, consiste de duas letras que nem aparecem no nome do elemento. A solução desse mistério – a palavra deriva de hydragyrum, “água de prata” em latim – me ajudou a entender o quanto as línguas e as mitologias antigas influenciaram a tabela periódica, algo que se vê até hoje nos elementos mais recentes e superpesados da última linha. […]

A partir daquele único elemento, eu aprendi história, etimologia, alquimia, mitologia, literatura, venenos forenses e psicologia. […]

Em seu nível mais simples, a tabela periódica é um catálogo com todos os diferentes tipos de matéria do nosso universo, os pouco mais de cem personagens que, com suas personalidades fortes, dão origem a tudo que tocamos. Seu formato também nos fornece pistas científicas de como essas personalidades se misturam umas com as outras nas multidões. Num nível um pouco mais complicado, a tabela periódica codifica todas as informações forenses sobre a origem de todos os tipos de átomos e quais átomos podem se fragmentar ou se transformar em átomos diferentes. Esses átomos se combinam naturalmente em sistemas dinâmicos como criaturas vivas, e a tabela periódica prevê como isso acontece. Prevê inclusive quais corredores de elementos nefastos podem prejudicar ou destruir coisas vivas.

Finalmente, a tabela periódica é uma maravilha antropológica, um artefato que reflete todos os aspectos maravilhosos, artísticos e medonhos dos seres humanos e a maneira como interagimos com o mundo físico – a história da nossa espécie narrada com um roteiro compacto e elegante. E ela merece ser estudada em cada um desses níveis, começando pelo mais elementar e evoluindo gradualmente em sua complexidade. Além de nos divertir, as histórias da tabela periódica fornecem uma forma de compreender o que nunca se vê em livros texto ou em manuais de laboratório. Nós comemos e respiramos a tabela periódica; as pessoas apostam grandes quantias de dinheiro nela; filósofos a usam para sondar o significado da ciência; ela envenena pessoas e provoca guerras. Entre o hidrogênio no alto à esquerda e as impossibilidades produzidas pelo homem à espreita na parte inferior, pode-se encontrar bolhas, bombas, dinheiro, alquimia, politicagem, história, veneno, crime e amor. E até um pouco de ciência.

KEAN, Sam. A colher que desaparece: e outras histórias reais de loucura, amor e morte a partir dos elementos químicos. Tradução: Claudio Carina. Rio de Janeiro: Zahar. 2011, p. 7-12.

Gênio Obsessivo – fragmento do livro

Estava lendo um fragmento do livro para incluir no livro que estou escrevendo, resolvi postar aqui, pois se trata de uma das obras da Marie Curie que eu mais gosto.

Passar o bastão

            […] Em 1904, o assistente de Thomas Edison morreu envenenado por radiação, enquanto tentava desenvolver uma lâmpada de raios X. Naquela época, os Curie sabiam que os raios X eram bem menos perigosos do que os raios de rádio.

No instituto Kaiser Wilhelm, Lise Meitner isolou seu laboratório com chumbo e alertou sobre os perigos da exposição a substâncias radioativas. Numa forma primitiva de proteção, Meitner exigia frequentes lavadas de mãos e colocava papel higiênico junto ás maçanetas para serem usados quando fossem abertas ou fechadas as portas. As salas de conferência disponham de cadeiras escuras e claras: as claras para quem trabalhasse com substâncias radioativas fracas e as escuras para quem estudasse materiais radioativos mais fortes. Meitner instalou ventiladores e coifas sobre as mesas de trabalho para remover a fumaça e protegia materiais radioativos em caixas de chumbo. Ela exigia que sua equipe usasse fórceps ao lidar com materiais radioativos. Num exemplo de “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, Marie também instalou muitas dessas proteções, mas tanto ela quanto Irène costumavam ignorá-las. Elas usavam as mãos nuas em experimentos e, o que é chocante, com frequência transferiam rádio e polônio de um recipiente para outro, sugando essas substâncias com uma pipeta. Com o passar dos anos, mesmo com a piora de saúde, elas continuaram trabalhando desprotegidas.

Durante a Primeira Guerra Mundial, quando trabalharam em vários hospitais de campanha, tanto a mãe quanto a filha se expuseram a doses maciças de raios X e gás radônio. Em 1921, Marie Curie escreveu em Radiologia e a guerra que a radiodermatite poderia levar a morte. Ela pouco ligou  para sua própria descoberta. […]

[…] dois engenheiros ex-alunos de Marie morreram após preparar soluções industriais de tório X. Outro teve os dedos amputados, depois a mão, depois o braço. Em seguida, ficou cego. Soddy acusava o rádio de tê-lo tornado estéril.

GOLDSMITH, Barbara. Gênio obsessivo: O mundo interior de Marie Curie. São Paulo: Companhia das Letras. 2006, p. 187-189.

Marie Curie e as mulheres cientistas

No final do ano passado eu tive o prazer de participar de uma das conferências em homenagem ao ano internacional da Química. Foi no auditório da FAPESP no mês de novembro. Acredito que foi uma das melhores formações que participei em 2011.
No vídeo há uma pequena parte das falas dos palestrantes, vale a pena assistir.

Minha vida profissional em números

Acordei inspirado hoje e resolvi montar um minirresumo da minha vida profissional, incluindo minha formação e uns poucos dados da minha vida pessoal.
O resultado está na imagem, para ver em tamanho ampliado basta clicar na imagem.

A escola dos Malvados

Eu sou um grande fã do André Dahmer, dono do site Malvados e que publica histórias em quadrinhos sobre a situação precária do individualismo do mundo. Além disso, ele mantém um blog que publica rabiscos e esboços. Foi lá no blog que eu encontrei essa charge:

Se eu tivesse que complementar ou mudar alguma coisa na charge anterior, eu colocaria:

Química – (tirado do site dos Malvados)

Religião – (tirado do blog do André Dahmer, mas uma homenagem a Angeli).